A carreira de Paulo Bento como técnico do Sporting tem sido feita de altos e baixos. Tão rápido é elogiado, como no dia a seguir é vaiado. Diga-se em abono da verdade que Paulo Bento não tem o dom da palavra, nem do discurso, não é um primor táctico, nem evoluiu já tudo o que tem para evoluir, mas também é certo que não ganha, nem exige como outros.
A época do Sporting é marcada por altos e baixos. Feitas as contas, o Sporting venceu a Supertaça, foi finalista vencido da nova Taça Carlsberg, apurou-se directamente para a Champions, foi a equipa portuguesa com melhor carreira europeia e está no Jamor. Muitos dirão que é muita parra e pouca uva, mas também é certo que o Sporting conseguiu criar sempre a dúvida nos adeptos que tiveram sempre a esperança, em todas as competições, à excepção do campeonato, de poder chegar ao objectivo principal.
Fazendo uma análise fria das condições de que dispõe um treinador do Sporting para chegar ao êxito, afirmo convictamente que não é possível, ou será pelo menos muito díficil, fazer melhor. O Sporting tem boas condições de trabalho e um presidente que aposta desde o ínicio do seu mandato na confiança num único treinador. E porque não apostou noutro? Porque não o trocou entretanto?

A resposta parece-me óbvia. Poucos treinadores aceitariam treinar uma equipa canditata a títulos, com prestígio e visibilidade em troca das condições oferecidas pelo clube leonino. Desde logo, poucos seriam os treinadores a aceitar o cargo de técnico do Sporting a troco do modesto ordenado que Paulo Bento aufere. E o próprio Paulo Bento aceitou-o, pois era um treinador em ínicio de carreira e viu nesta ocasião, uma oportunidade para lançar a sua carreira.
Depois poderemos analisar os activos postos à disposição do técnico leonino. Muito se diz e com razão, que o SCP é uma fábrica de talentos, mas é também certo que uma equipa não se faz de miúdos. É preciso fazê-los crescer e quando isso acontece, quase sempre em Alvalade, as propostas de milhões de euros são demasiado sugestivas e irrecusáveis, tudo em nome do rigor financeito e da recuperação das contas.
Com efeito, é indesmentível que Veloso e Moutinho são jogadores que qualquer clube ambiciona ter nas suas fileiras e que Patrício, Pereirinha, Djaló e Adrien poderão vir a tornar-se valores seguros do nosso futebol e ainda que Vukcevic e Izmailov são e serão ainda melhores jogadores, isto apenas para citar alguns exemplos.
Contudo, para um clube que tem ambições em todas as provas em que entra, é preciso um pouco mais. Carlos Freitas fez ainda assim os impossíveis para encontrar “mais valias baratas” para integrar o plantel, mas salta à vista que o plantel do Sporting é demasiado curto para tanta ambição. A aposta em Farnerud e em Purovic em certas alturas da época, não passaram de necessidades da equipa e não de teimosias de Paulo Bento, como muito se disse e escreveu.
Numa época longa e inseridos em várias competições, os leões não poderiam alinhar sempre com o mesmo 11. A juntar a tudo isto, não esquecer as ausências por lesão de Vukcevic, Djaló e Derlei, que diminuiram em muito a margem de manobra técnica de Bento.
Ao longo da época, a equipa do Sporting pareceu em certos momentos, cansada, praticando um futebol triste e sem imaginação, tudo porque os protagonistas tinham de ser sempre os mesmos. Muito fizeram eles. No entanto, feito o balanço, Bento colocou a equipa no 2º lugar do campeonato, fazendo uma notável recuperação, quando já poucos acreditavam, chegou à final da Taça Carlsberg, onde só caiu nos penalties, perante um Vitória, que só se preocupou em arrstar o jogo para a marcação dos onze metros. A juntar a isto, o Sporting fez ainda uma boa campanha europeia, onde só sucumbiu perante o cínico, feio, mas prático Rangers e garantiu o lugar na festa di futebol, no Jamor no próximo Domingo.
Atendendo às circunstâncias, o trabalho de Paulo Bento, não sendo brilhante, é francamente positivo. Não o considerando um treinador de elite e tendo dúvidas que o venha a ser no futuro, tenho no entanto grande expectativa em o ver fazer uma época com um plantel mais forte e equilibrado. Se conseguir manter a actual estrutura do plantel e lhe possibilitarem a contratação de ¾ jogadores do nível e com a experiência de Roca, para contrabalançar com a juventude e irreverência do restante plantel, estou em crer que teremos um Sporting bem mais forte na próxima época e que Paulo Bento mostrará finalmente que não é apenas um treinador para fazer os mínimos e que também poderá alcançar os máximos, assim lho permitam e para isso lhe dêem condições.
(imagem: http://munhanha.no.sapo.pt/Tomem%20l%E1.jpg)
BL